A eletromobilidade ganha destaque na América Latina com avanços significativos na eletrificação dos sistemas de ônibus urbanos. No webinar EBus na América Latina 2026, promovido pela União Internacional de Transportes Públicos (UITP) e pela CWBUS, especialistas, autoridades e operadores discutiram os desafios e as perspectivas dessa transição para uma mobilidade mais limpa e sustentável na região.
Avanços da eletromobilidade em sistemas urbanos de transporte
A diretora de Mobilidade Urbana da Semove e vice-presidente da UITP, Richele Cabral, moderou o painel “O que esperar do futuro? – Visão do operador”, destacando os progressos da América Latina na implementação de ônibus elétricos. O painel reuniu representantes do México, Uruguai e Panamá, que apresentaram diferentes realidades e estratégias para a eletromobilidade, abordando governança, financiamento, operação e integração com políticas públicas.
Estratégias de eletromobilidade no México, Uruguai e Panamá
Nicolás Rosales, presidente da Associação Mexicana de Transporte e Mobilidade, detalhou a estratégia do sistema Metrobús na Cidade do México, que opera 165 veículos elétricos em uma frota total de 860 ônibus. O planejamento inclui a introdução de biarticulados elétricos e a renovação de mais da metade da frota até 2030. Rosales ressaltou a necessidade de superar o modelo tradicional de gestão, adotando estruturas empresariais profissionalizadas e novos tipos de financiamento, como leasing, apoiados por reformas regulatórias e políticas de descarbonização com metas vinculativas.
No Uruguai, Álvaro Santiago, subgerente da CUTCSA, apresentou o sistema de transporte da Região Metropolitana de Montevidéu, que atende 1,9 milhão de habitantes com uma frota de 2 mil ônibus. A CUTCSA lidera a eletrificação local, com 281 dos 316 veículos elétricos do sistema, representando 89% do total. A transição recebe financiamento do Fideicomiso para Mobilidade Sustentável (FIMS), que substitui o antigo subsídio ao combustível. A frota elétrica mantém 98% de disponibilidade, percorre entre 220 km e 300 km por dia e consome em média 0,9 kWh/km. A empresa comprometeu-se a eletrificar 100% da frota até 2040, com metas intermediárias de 25% em 2025 e 50% em 2030.
Eliana Lasso, diretora de Planejamento e Serviço da MiBus, no Panamá, explicou que a capital está no início do processo de eletrificação, com testes em cinco ônibus elétricos. Ela destacou os critérios para o planejamento do novo modelo e a importância das etapas futuras, como infraestrutura e pontos de carga, para a consolidação da eletromobilidade no transporte público.
Inovações tecnológicas e experiências regionais na eletromobilidade
Além da visão dos operadores, o webinar reuniu representantes da indústria, incluindo Volvo, Grupo Hexing/Livoltek e BYD, para discutir inovações tecnológicas e fornecimento de ônibus elétricos. O evento também abordou a implantação desses veículos em Curitiba, Bogotá, Santiago e Cidade da Guatemala, ampliando o debate sobre os desafios e oportunidades da eletromobilidade na América Latina.
A eletromobilidade emerge como uma solução essencial para a descarbonização do transporte público, exigindo integração entre políticas públicas, financiamento inovador e avanços tecnológicos. A troca de experiências entre países e a participação de diferentes setores fortalecem a transição para sistemas mais sustentáveis e eficientes.
Conclusão
O webinar EBus na América Latina 2026 evidenciou que a eletromobilidade avança com força na região, apesar das diferenças locais. A implementação de ônibus elétricos depende de governança adequada, financiamento estruturado e inovação tecnológica. O compromisso dos operadores e a colaboração entre países indicam um futuro promissor para a mobilidade urbana sustentável, alinhada às metas de descarbonização e melhoria da qualidade de vida nas cidades latino-americanas.

