Ministério dos Transportes inicia roadshow em Londres para atrair investidores

Com R$ 262,6 bilhões previstos em 29 leilões rodoviários e ferroviários para 2027, o Brasil busca repetir o ciclo recorde de investimentos na infraestrutura. Para isso, o Ministério dos Transportes iniciou nesta sexta-feira (30), em Londres, no Reino Unido, uma série de reuniões com investidores estrangeiros para apresentar sua carteira de projetos e atrair capital internacional.

“O Brasil passa por um momento importante de reorganização e aumento da sua infraestrutura. O objetivo é acompanhar o crescimento da produção nacional e das exportações. Nas últimas décadas, o país aumentou muito sua capacidade de produzir e exportar alimentos, minerais e outras commodities. Assim, tornou-se um dos principais fornecedores do mundo. Esse crescimento deve ficar ainda mais forte nos próximos anos”, afirmou o ministro dos Transportes, George Santoro.

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  • Neste primeiro dia da agenda no Reino Unido, a comitiva do governo brasileiro se reuniu com grupos estrangeiros e fundos de investimentos, como o UBS Asset Management Funds Ltd. O grupo financeiro, sediado em Zurique e fundado em 1998, é líder mundial nos segmentos de gestão de fortunas, banco de investimento e corretagem, atuando junto a governos, grandes investidores e clientes institucionais.

    Política de concessões brasileiras renova mercado de infraestrutura

    A agenda em Londres ocorre em um momento de expansão das concessões rodoviárias e de estruturação de projetos ferroviários. Desde 2023, 18 novos grupos participaram dos leilões rodoviários, ampliando a concorrência e a diversidade de investidores no setor. O número de empresas interessadas nos ativos rodoviários saltou de 18 para 35 entre 2016 e 2026, segundo a A&M Infra, enquanto a extensão de rodovias administradas pela iniciativa privada aumentou de aproximadamente 19 mil para 36 mil quilômetros.

    A entrada de operadores estrangeiros, como a francesa Vinci, que conquistou a concessão da Rota dos Cristais em 2024 e adquiriu a Entrevias, demonstra o apetite internacional pelos ativos brasileiros. A ampliação da concorrência é favorecida pelo aperfeiçoamento dos projetos, pela maturidade regulatória e pela segurança contratual, criando condições para atrair capital e ampliar a capacidade de investimento no país.

    “O Brasil garante previsibilidade e usa mecanismos modernos de proteção aos investidores, como a proteção cambial. Isso mostra que estamos preparados para atrair mais investimentos”, afirmou a secretária Nacional de Transporte Rodoviário, Viviane Esse.

    Ela destacou o aumento da frequência dos leilões rodoviários, que passou de uma média de um por ano, antes de 2023, para oito anuais. Também ressaltou a competitividade dos certames, que têm registrado, em média, três concorrentes por disputa, em linha com recomendações do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

    “A ampliação dos leilões, a participação de grupos internacionais e a qualidade dos projetos mostram a maturidade do setor e o compromisso do país com uma agenda de infraestrutura de longo prazo”, finalizou Viviane.

    A atual gestão do governo brasileiro fechará seus quatro anos de mandato com 29 leilões rodoviários. Desse total, 25 já foram realizados, enquanto outros quatro estão programados para novembro e dezembro. O conjunto representa R$ 337 bilhões em investimentos contratados. No período, a média foi de sete leilões por ano, sete vezes superior à registrada entre 1993 e 2022, quando o país realizava, em média, um leilão rodoviário anual.

    Expansão ferroviária e carteira de projetos para 2027

    No setor ferroviário, o Ministério dos Transportes retomou a estruturação de projetos para ampliar a participação do capital privado. Desde 2023, foram contratados estudos para cerca de 28 mil quilômetros de ferrovias.

    O chamamento público do Corredor Minas-Rio, marcado para 17 de dezembro, marcará a retomada do setor. O projeto abrange 733 quilômetros de trilhos entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro e abrirá caminho para um novo modelo de reativação de trechos ferroviários subutilizados no país.

    O secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, considera a agenda em Londres estratégica, por reunir investidores de um dos principais centros financeiros mundiais. “Esses encontros ajudam os investidores a avaliar as propostas. São projetos maduros e padronizados, o que aumenta a previsibilidade, mitiga riscos e contribui para uma transformação significativa na logística do país”, afirmou Leonardo.

    A carteira do Ministério dos Transportes para 2027 prevê 11 contratos rodoviários, com R$ 102,68 bilhões em investimentos, e 18 projetos ferroviários, que somam R$ 160 bilhões. O pipeline reúne concessões, chamamentos públicos para contratos de autorização e oportunidades relacionadas à exploração de terminais e trechos ferroviários.

    O objetivo é ampliar a capacidade de transporte de cargas e passageiros e fortalecer a integração entre ferrovias, rodovias, portos e terminais logísticos.

    Roadshow em Londres para apresentar carteira de projetos rodoviários e ferroviários

    A agenda do Ministério dos Transportes em Londres segue com reuniões bilaterais com grupos estrangeiros e apresentação da carteira de projetos rodoviários e ferroviários até terça-feira (3).

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