Greve de ônibus no Rio provoca falta de coletivos, atos de vandalismo e caos no trânsito

A greve de ônibus no Rio começou oficialmente à meia-noite desta segunda-feira (29) e gerou impactos profundos na mobilidade urbana da capital fluminense. Passageiros enfrentaram longas esperas nos pontos, redução severa na oferta de coletivos e graves dificuldades para o deslocamento profissional no início da manhã.

O Rio Ônibus informou que criminosos vandalizaram 35 coletivos durante piquetes realizados na madrugada, o que prejudicou diretamente a saída dos veículos das garagens. Segundo a entidade patronal, apenas 860 ônibus ganharam as ruas nas primeiras horas do dia, número muito abaixo dos 1.800 veículos previstos para o atendimento da população carioca.

Decisão judicial tenta conter impactos da greve de ônibus no Rio

O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) reconheceu a legalidade do movimento, mas determinou que 50% da frota de cada linha circule normalmente. Consequentemente, a Justiça estipulou uma multa diária de R$ 50 mil para as entidades envolvidas em caso de descumprimento da ordem. A desembargadora Maria Helena Motta ressaltou que o direito de paralisação deve coexistir com a manutenção de serviços essenciais na cidade. Além disso, a magistrada proibiu expressamente a contratação de motoristas temporários e vedou demissões motivadas pela adesão ao movimento grevista.

O sindicato patronal explicou que a operação desta segunda-feira já previa uma redução de frota pré-autorizada em função do jogo da Seleção Brasileira. Por outro lado, o Sindicato dos Rodoviários culpou as empresas pela falta de ônibus nas ruas. O dirigente Sebastião José afirmou que a entidade solicitou as escalas de trabalho com antecedência, mas o Rio Ônibus não encaminhou a documentação necessária para organizar os motoristas.

Impasse sobre reivindicações e reforço nos transportes públicos

Os rodoviários exigem a alteração da data-base para 1º de março, piso salarial de R$ 4 mil para veículos convencionais e R$ 5 mil para articulados, além de vale-alimentação de R$ 1 mil. A categoria também demanda jornada de trabalho 5×2, fim dos contratos temporários no BRT e implementação de planos de saúde. Como os trabalhadores consideram a proposta das empresas insuficiente, a paralisação segue por tempo indeterminado.

Para mitigar o problema, os demais modais de transporte público da capital ativaram esquemas de reforço emergencial. A Mobi-Rio operou o BRT com 68% da frota e manteve todas as estações abertas, enquanto a concessionária de trens urbanos disponibilizou viagens extras. O MetrôRio também ampliou a oferta de composições, e o prefeito Eduardo Cavaliere mobilizou equipes municipais para monitorar os impactos.

“Uma audiência de mediação entre representantes dos trabalhadores e das empresas está marcada para as 11h desta terça-feira (30), na sede do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região”, confirmou a nota do tribunal sobre os próximos passos. Portanto, motoristas e empresas buscam um entendimento jurídico para restabelecer o sistema de transporte nas próximas horas.

Deixe um comentário