O Aeroporto Internacional do Galeão iniciou uma nova etapa de gestão com planos para ampliar a conectividade aérea e atrair cerca de R$ 1 bilhão em investimentos privados em empreendimentos comerciais nos próximos três anos. A concessionária Aena Brasil assumiu o controle do aeroporto em 6 de outubro de 2026 e apresentou essas informações em coletiva no Rio de Janeiro, com a presença do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca.
Galeão: expansão da conectividade e novos investimentos
Em 2026, o Galeão movimentou 12,67 milhões de passageiros entre janeiro e agosto, um aumento de 10,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O fluxo internacional cresceu 13,8%, alcançando 4,32 milhões de passageiros. O ministro Tomé Franca ressaltou a importância de aproveitar a infraestrutura existente para ampliar a conectividade do terminal e gerar oportunidades para o turismo e a economia, destacando a vocação do aeroporto para o turismo internacional devido à infraestrutura e à atratividade natural do Rio de Janeiro.
Com a incorporação do Galeão, a Aena passou a administrar 18 aeroportos no Brasil, que juntos movimentam cerca de 63 milhões de passageiros por ano. A presença do Galeão na rede pode favorecer a articulação de rotas e a negociação com companhias aéreas para ampliar a oferta de voos internacionais. Uma das propostas em discussão é coordenar a malha doméstica do Galeão com a de Congonhas (SP), também administrado pela Aena, para ampliar as opções de conexão para passageiros de outras regiões do país.
O ministro destacou a necessidade de continuidade nas políticas públicas voltadas à concorrência e à conectividade aérea, visando estruturar o crescimento da aviação com uma política de Estado que tenha continuidade nos próximos anos. O desafio atual é aumentar o número de rotas e frequências, conectar mais cidades e levar mais passageiros a voar pelo Brasil.
Tiago Faierstein, diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), enfatizou a importância do Galeão para a conectividade aérea internacional e para o desenvolvimento do Rio de Janeiro e do país. Ele afirmou que o aeroporto é fundamental para o crescimento do terminal e da cidade, além de ser um hub importante para o Brasil.
Concessões e novos empreendimentos no Galeão
A nova etapa da concessão do Galeão inclui mudanças no modelo de remuneração da União, com uma contribuição variável de 20% da receita bruta anual da concessionária e suas subsidiárias, substituindo o modelo de contribuições fixas. O contrato permanece válido até maio de 2039. A operação de venda assistida foi concluída com um lance de R$ 2,9 bilhões para aquisição da sociedade concessionária, valor referente à compra da empresa, não a investimentos em obras.
Santiago Yus, diretor-presidente da Aena Brasil, informou que a expectativa é de cerca de R$ 1 bilhão em investimentos de terceiros no sítio aeroportuário ao longo de três anos. Entre os empreendimentos previstos estão um hotel de bandeira internacional, um centro de testes da montadora BYD e um hangar de manutenção de aeronaves da Gol. Também estão previstos novos galpões logísticos e a expansão de uma estrutura já existente.
A viabilização desses projetos está relacionada a regras do Ministério de Portos e Aeroportos que permitem contratos comerciais com vigência superior ao prazo restante da concessão, mediante análise da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) quanto à viabilidade econômica e compatibilidade com o contrato. Segundo a Aena, os empreendimentos podem gerar cerca de 3.860 empregos.
Santiago Yus destacou ainda a possibilidade de aproveitar a rede de aeroportos administrados pela empresa para ampliar as conexões aéreas a partir do Galeão, explorando diferentes possibilidades de conexão, como voos de São Paulo ou Recife pelo Rio de Janeiro rumo a destinos internacionais.
Impacto para o turismo e a economia
A conectividade aérea influencia a chegada de visitantes, a realização de negócios e a circulação de cargas. De janeiro a agosto de 2026, os gastos turísticos na cidade do Rio de Janeiro foram estimados em R$ 22,5 bilhões, segundo o Banco Central. A infraestrutura aeroportuária contribui para conectar esse mercado a outras regiões do Brasil e ao exterior.
Para que esse potencial se traduza em resultados, a ampliação das rotas precisa acompanhar a demanda e ser acompanhada de qualidade operacional, segurança e boas condições de atendimento.