Prefeitura do Rio lacra garagens e reestrutura sistema de ônibus

A Prefeitura do Rio lacrou as garagens das viações Real Auto Ônibus e Transportes Vila Isabel após fiscalização identificar condições precárias e falta de vistoria anual obrigatória da frota. A ação, realizada no dia 31 de janeiro de 2026, contou com a presença do prefeito Eduardo Paes, do vice-prefeito Eduardo Cavaliere e da secretária municipal de Transportes, Maína Celidônio. A ligação entre as garagens e a crise no transporte público ficou evidente, já que a conservação ruim desses espaços comprometeu a operação dos ônibus, afetando diretamente os passageiros.

Garagens em condições precárias e frota sem vistoria

A secretária Maína Celidônio explicou que 99% dos veículos das duas empresas não passaram pela vistoria anual obrigatória, e as garagens apresentavam estado de conservação ruim, oferecendo risco à população. Ela afirmou que as condições das garagens e dos ônibus impedem a operação segura. O prefeito Eduardo Paes classificou as garagens da Real Auto Ônibus e Vila Isabel como um “cemitério de ônibus”, destacando o desrespeito das concessionárias com os usuários do transporte público.

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  • Impacto das garagens lacradas na operação do sistema de ônibus

    Com as garagens lacradas, a frota praticamente saiu de circulação. De um total de 200 ônibus da Real Auto Ônibus, apenas 16 estavam regulares, enquanto a Viação Vila Isabel não realizou vistoria em nenhum dos seus 50 veículos no prazo de um ano. A Prefeitura determinou que o consórcio Intersul assuma 60% das linhas afetadas, garantindo a continuidade e melhoria do serviço. Caso o consórcio não avance na substituição da frota, a Mobi-Rio está preparada para assumir temporariamente as operações.

    Problemas enfrentados pelos passageiros devido às falhas nas garagens

    A crise nas garagens refletiu diretamente no atendimento aos passageiros, que enfrentaram longas esperas e linhas deficitárias, principalmente na ligação entre a Zona Norte e a Zona Sul. Em pontos como Leopoldina, na Zona Central, esperas superiores a uma hora foram registradas. Linhas como a 460 quase não circulam, e a criação da linha 475 não atende adequadamente a região da Leopoldina. Usuários relataram ônibus lotados e atrasos, o que gerou insatisfação e uso de transporte por aplicativo como alternativa.

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    Demissões e atrasos salariais nas empresas com garagens lacradas

    Além dos problemas operacionais, denúncias de demissões e atrasos salariais surgiram nas duas empresas. Motoristas foram dispensados sem receber salários e vale-alimentação, causando dificuldades financeiras para os trabalhadores. Essa situação agrava ainda mais a crise no sistema de transporte, que já sofre com a paralisação causada pelo lacre das garagens.

    Novas linhas e ajustes para compensar o impacto

    Para minimizar os efeitos da paralisação das garagens, a Secretaria Municipal de Transportes criou cinco novas linhas e ajustou itinerários de outras. Entre os novos serviços estão as linhas 162, 319, 160, 475 e 111, com reforço na operação e previsão de mais linhas, como a 536, nas próximas semanas. A Prefeitura também determinou que o Consórcio Intersul retome quatro linhas inativas, enquanto a Mobi-Rio se prepara para assumir temporariamente outras linhas, se necessário.

    Licitação e futuro do sistema de ônibus

    O acordo judicial firmado entre Prefeitura, Ministério Público e consórcios prevê a antecipação da licitação das concessões, originalmente marcada para 2028. A região de Vila Isabel integra a segunda fase, com licitação prevista para setembro de 2026. Durante esse processo, linhas com problemas operacionais graves podem perder exclusividade e passar a ser geridas diretamente pela Prefeitura até a conclusão da nova licitação. A relação contratual permanece com os consórcios, que devem garantir a continuidade do serviço, independentemente da situação das garagens e das empresas.

    A situação das garagens da Real Auto Ônibus e Vila Isabel expôs falhas graves na manutenção e operação do transporte público no Rio. O lacre dessas garagens impactou diretamente a frota e o atendimento à população, evidenciando a necessidade urgente de reestruturação e fiscalização rigorosa para garantir segurança e qualidade no serviço.

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