Maricá: Tarifa Zero alcança todos os distritos da cidade

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Maricá Tarifa
Foto: Evelen Gouvêa

Em 2021 é fato: Maricá vai ter Vermelhinho na cidade toda. Agora, quem quiser se deslocar de Itaipuaçu à Ponta Negra vai poder utilizar o transporte público gratuito em qualquer ponto da cidade.

Com o fim, em 2020 do contrato de concessão de uma empresa privada que opera na cidade, a frota da Empresa Pública de Transportes (EPT) garante o direito de atender todos os bairros e moradores da cidade.

“A concessão da empresa encerrou-se em outubro. Foi feito um termo aditivo até abril, que era o prazo que a Empresa Pública de Transportes tinha para fechar o processo licitatório. A licitação com dois itens, o 3º e 4º distritos também já foi realizada e ganharam duas empresas”, explica o presidente da Empresa Pública de Transportes, Celso Haddad, informando que no modelo adotado, a Empresa Pública de Transportes gerencia o serviço de transporte gratuito, prestado por empresas contratadas.

“A empresa Fiel fará o 3º distrito, em Inoã, e a Nossa Senhora do Amparo será a prestadora de serviço no 4º distrito, em Itaipuaçu. Ambas serão gerenciadas por nós”, completa.

O processo encontra-se na fase de homologação, para posterior assinatura do contrato. “Existe uma previsão de que comecemos a operar nesses distritos no fim de fevereiro, início de março. A perspectiva é a de que o número de deslocamentos de pessoas passe dos atuais 21 mil por dia para mais de 50 mil por dia, cobrindo todo o município”, completa Celso Haddad.

Maricá
Foto: Clarildo Menezes

A perspectiva da empresa também segue a política de investir em tecnologia e sustentabilidade. A Empresa Pública de Transportes, o Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico já deram o pontapé inicial para que o município avance nesta direção.

“Estamos desenvolvendo uma encomenda tecnológica para a produção de veículo ou veículos de energia limpa. Tem versões que são a hidrogênio, elétrico, de levitação sobre trilhos. Vamos buscar uma solução para a cidade que crie uma referência de transporte limpo em área urbana para o país”, esclarece o diretor-presidente do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá, Celso Pansera.

Segundo ele, em dezembro de 2019 foi assinado um memorando de entendimento com a Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE – UFRJ), através do Laboratório de Hidrogênio com o objetivo de levar o ônibus híbrido elétrico – hidrogênio ao município, bem como o ônibus urbano escolar elétrico, nos moldes exigidos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação e do ônibus híbrido elétrico – etanol.

Mas essa é apenas um das possibilidades e a intenção é tornar o modelo mais adequado aos interesses de demandas de desenvolvimento. “No lugar de fazer convênio para financiar, estamos fazendo a compra de um produto, para ampliar esse processo”, explica Pansera.

“Em 2020 não avançou por conta da pandemia, mas queremos ter a oportunidade de escolher também outras possibilidades. Vamos lançar o edital em fevereiro e queremos que as soluções estejam definidas até abril. Ainda não temos definido como seria esse funcionamento, vamos receber as propostas e a partir delas, definir”, frisa Pansera, ressaltando que o objetivo é que esse produto não circule apenas na cidade, mas que seja produzido em Maricá e exportado para outros municípios, gerando empregos com salários melhores.

Maricá
Foto: Evelen Gouvêa

Quando falamos de uma encomenda tecnológica, queremos comprar algo que podemos vender depois em escala. O recurso empenhado para essa produção inclui os royalties do petróleo, mas também os fundos que a prefeitura vai disponibilizar. Esse ano, a expectativa é de investirmos R$ 6 milhões nesse processo”, completa Pansera.

A definição segue a lógica da economia pós petróleo, em um planejamento de longo prazo destinado a dar sustentabilidade à cidade em qualquer situação. “Essa é mais uma iniciativa nossa na busca de royalties da tecnologia que vão substituir os royalties do petróleo. Então, esse produto vai ser incorporado à frota da Empresa Pública de Transportes, mas não vai trabalhar apenas transportando os cidadãos. Será sustentável do ponto de vista ambiental, vai gerar receita para a cidade no futuro, já que vai servir também de vitrine, mostrando para as outras localidades que é possível e viável”, conclui Pansera.

Referência nacional e internacional no campo do direito à mobilidade, o programa Tarifa Zero de Maricá foi implantado em 2013. Atualmente a frota registra 21 mil deslocamentos de pessoas por dia em 19 linhas, em um serviço por mais de 20 horas diárias de segunda a domingo.

A Empresa Pública de Transportes conta com uma frota que inclui 52 ônibus e um caminhão reboque. Uma quantidade considerada compatível com as dimensões do município, que tem 362 km² de área (onde cabem Niterói e São Gonçalo juntas). Pelo formato e sustentabilidade, o modelo de Maricá já está sendo replicado em outras cidades e até no exterior. Tallin, a capital da Estônia, foi a primeira cidade da Europa a ter o programa e usou o modelo maricaense para isso. Um exemplo que tende a ser cada vez mais copiado.

Maricá
Foto: Fernando Silva

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